31 anos
Mateus 7.21-27
 
Introdução
 
O que é ser verdadeiramente um discípulo de Jesus? Conforme aprendemos na primeira mensagem, um discípulo é um cristão. Uma pessoa não pode dizer que é cristã se ela não for discípulo. Hoje vamos caminhar um pouco mais. Vamos falar de tomar a cruz e seguir a Jesus. Cruz não são os problemas. Alguém tem um cônjuge difícil, tem uma saúde debilitada, tem um problema financeiro, aí afirma: “Essa é a cruz que eu tenho que carregar”. Mas os problemas não são cruzes, são fardos e fardos são diferentes de cruz. Cruz é instrumento e lugar de morte. Portanto, tomar a cruz significa um compromisso com Jesus, a tal ponto profundo, que me leva a morrer para mim mesmo a fim de que Cristo viva em mim, como disse Paulo em Gálatas 2.20: “já estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
 
O texto de Mateus 7 refere-se a um contexto diferente daquele em que Jesus se encontrava em Lucas 14.25-33 (texto de semana passada). No contexto de Lucas, Jesus faz uma abordagem “à grande multidão”, que são aqueles seguidores nominais que não assumiram compromisso com Jesus. No texto de hoje, a abordagem de Jesus é acerca dos falsos profetas, que seriam inevitáveis. São aqueles que aparecem entre os discípulos com aparência de ovelhas. A maneira de identificar tanto o falso profeta quanto o verdadeiro discípulo é o resultado das ações, comparados aos frutos de uma árvore. Não basta nem mesmo dizer “Senhor, Senhor”. Tem que fazer a vontade do Pai.
 
Estas palavras de Jesus são a conclusão do grande sermão que Ele pregou, chamado de “Sermão da Montanha”. A grande questão que nos confronta com Jesus aqui é o Seu senhorio em nossas vidas. A razão de Jesus apresentar este pensamento tão radical no final do seu sermão é que Ele tinha plena consciência de quem era Seu público. Ele sabia quais eram apenas “espectadores”. Era como é hoje. Muitos ouvintes se ajuntam para ouvir a mensagem do Evangelho, para fazer as coisas que os evangélicos fazem. Ao ouvirem o ensino, balançam a cabeça em concordância, chegam a dizer “Amém!”. Eles estão sempre dizendo: “Nós seguimos o grande Rei Jesus”. No entanto, não se percebe nenhuma mudança radical em suas vidas; há pouca ou nenhuma vivência dos ensinos do Mestre. Assim, Jesus termina seu grande sermão, apresentando a seriedade e o sentido mesmo de ser discípulo. Nesta conclusão, ele apresenta as seguintes verdades:
 
1. Ser crente em Jesus é uma ação e não um discurso
 
Ser crente se dá em atitudes e não em palavras. Mesmo essas atitudes precisam revelar a autenticidade da decisão de ser um cristão. Jesus inicia esta parte do ensino com as seguintes palavras: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos, naquele dia, hão de dizer: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.
 
Com essas palavras Jesus afirma que uma pessoa pode enganar-se, imaginando que está salva pelo fato de estar em um ambiente cristão (ter uma religião cristã, por exemplo). Ela pode empregar o vocabulário de um crente, tomar parte nas atividades de um crente, sem ser crente de verdade. Jesus afirma aqui que a conduta correta, o fazer a vontade do Pai, e não a adoração de lábios, é que constitui a garantia para a entrada no céu. Jesus deixa claro que a negativa para a entrada de uma pessoa no céu é pelo fato de esta pessoa ter dado pouca ou nenhuma resposta às suas exigências morais.
 
A situação é alarmante não somente pela decepção que muitos terão, mas também porque Jesus se refere a muitos. “Muitos, naquele dia, hão de dizer” (v. 22). A palavra em grego usada aqui para muitos é “polloi”, a mesma palavra usada para descrever as multidões que se reuniram para ouvir Jesus. “Multidões, naquele dia, hão de dizer”, é o que Jesus está afirmando aqui. Assustador! A pergunta que surge é: Como você está seguindo a Jesus, apenas religiosamente, ou em atitudes que evidenciam verdadeiro compromisso?
 
Chama-me a atenção as reivindicações dessa multidão, “naquele dia”: a) Nós temos profetizado em teu nome; b) Nós expulsamos demônios em teu nome; c) Nós fizemos maravilhas em teu nome. Todas essas coisas são boas, mas são coisas laterais. Isto revela o fato de que muitos na igreja estão concentrados com coisas laterais, dando a elas mais prioridade do que às Escrituras. Percebam como essas três coisas estão prendendo a atenção de boa parte dos evangélicos hoje. Já observaram como tem gente correndo atrás de profecia? Louvado seja Deus por seus dons proféticos durante o trabalho na Igreja, mas Deus não permita que elas nos guiem no lugar do ensino básico das Escrituras! A Palavra de Deus é o nosso guia, e a profecia tão somente é a confirmação daquilo que Deus já está nos apontando nas Escrituras.
 
Em nosso tempo há uma procura frenética por ministérios de libertação. É uma busca agitada pelos chamados sinais e maravilhas. De fato, Jesus disse que “estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem...” (Mc 16.17), mas Ele também disse que “uma geração má e adúltera pede um sinal” (Mt 12.39). O que Jesus está ensinando? Que discípulos verdadeiros não ficam seguindo sinais e prodígios, como se isto evidenciasse unção. Eles seguem Jesus.
 
Mateus 7.21-23 deixa bem claro que realizar milagres não significa necessariamente que Deus aprova a pessoa que os realiza. Você percebeu isso? Deuteronômio 13.1-5 revela que Deus pode realmente permitir que falsos profetas realizem milagres, com a finalidade de testar o seu povo, para ver se ele realmente ama o Senhor com todo o seu coração e alma ou se o segue apenas pelos milagres. Por isso, não olhe para os sinais e maravilhas como prova de que Deus abençoa qualquer ministério ou pregador ou profeta que os façam. Tenha cuidado! Será uma tragédia para qualquer pessoa, o fato de ela ter em suas mãos a Palavra viva de Deus, mas a deixa de lado para seguir coisas laterais, negligenciando um relacionamento verdadeiro com Jesus.
 
Tomar a cruz e seguir a Jesus é uma ação e não um discurso. É a ação de fazer o que Jesus ordenou. Fazer a vontade do Pai deve tomar toda a sua atenção e energia, em toda a sua vida. Isto significa uma caminhada de verdadeiro discipulado. Não uma caminhada glamorosa, na direção da moda religiosa do momento. Não uma caminhada por alguma forma “nova”, mas uma caminhada pelas veredas antigas, resistente, dura e radical às vezes, mas segura, experimentada e verdadeira. É uma caminhada com o custo da renúncia, da dedicação na leitura da Palavra e no investimento de tempo em oração. Tudo isso regado à uma preocupação de manter uma boa imagem do crente.
 
2. Ser crente em Jesus exige medidas decisivas
 
Jesus nos confronta com decisões, do tipo: “Se quiser vir após mim, negue-se a si mesmo”, ou, “ninguém pode ser meu discípulo se não renunciar tudo quanto tem”. Agora, no verso 24, Ele afirma: “todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica…”. Leia pausadamente este versículo e observe bem o que Jesus está dizendo. Ele está falando de ouvir as palavras dele (“estas minhas palavras”).
 
Há muita gente em nosso tempo que está sempre atento às vozes das ondas do momento, o último “guru” cristão, em DVD ou programa televisivo, ou talvez o mais recente livro sobre unção de Deus.
 
Observe o que está revelado em João 10.1-5: “Em verdade, em verdade vos digo; O que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Aquele, porém, que entra pela porta, esse é o pastor das ovelhas. Para este o porteiro abre, as ovelhas ouvem a sua voz, ele chama pelo nome às suas próprias ovelhas, e as conduz para fora. Depois de fazer sair todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque lhe reconhecem a voz; mas de modo nenhum seguirão o estranho; antes, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
 
Infelizmente, tem muitos cristãos sendo enganados pelas vozes do “estranho”, porque não aprenderam a ouvir a voz de Jesus, revelada nas Escrituras. Para elas é mais fácil ouvir um pregador na televisão ou ler algum livro água com açúcar, do tipo auto ajuda espiritual. Facilmente distorcem os ensinos das Escrituras. Ao contrário, nós temos que ouvir o que Jesus tem a dizer. Onde podemos encontrar Suas palavras? Na Bíblia. As Escrituras são absolutamente primárias e fundamentais. Precisamos estar constantemente na Palavra de Deus. Tenha cuidado para não se ver lendo apenas o que os outros têm escrito sobre as Escrituras. Estou firmemente convencido de que a sua leitura principal, como um cristão, deve ser a Bíblia. Todas as demais leituras são secundárias. O caminho que Deus usa para ministrar em sua vida é a Bíblia. Eu vou além: Deus nunca vai dizer alguma coisa a você, que não esteja na Sua Palavra. Se você não busca na Palavra, você não vai ouvir a Sua voz, porque Ele não irá substituir a Sua Palavra por outra coisa.
 
“Mas ‘tá na Bíblia”, me falam de vez em quando. Eu pergunto, está na Bíblia ou na mente de uma pessoa que tem uma idéia sobre algo e sai procurando textos bíblicos isolados, com a finalidade de fundamentar sua idéia? É necessário diferenciar “aixegese” de “exegese”. A primeira palavra significa colocar o seu pensamento na Bíblia. Já a segunda significa extrair o pensamento da Bíblia e colocá-lo na sua vida.
 
Parte da razão para o crescimento da indústria dos livros cristão nos últimos anos 20, 30 anos é resultante de transformações sociais, que têm criado uma geração fast food (comida rápida). É a geração que não tem tempo para buscar respostas para si na Palavra e assim ela diz: “Resuma para mim”, “interpreta para mim”, “me fale quais são os cinco passos para a oração eficaz”, “me mostre os dez passos para melhorar meu casamento”.
 
De vez em quando eu me encontro com alguns cristãos que não lêem muito a Bíblia, mas me dizem que gostam de se sentar em silêncio e esperam Deus falar com eles. Eu tenho que ser honesto: isto me assusta. Você pode se sentar onde quiser e pelo tempo que quiser, mas sem a Palavra de Deus, acredito que você pode até ouvir vozes, mas com certeza não vai ser de Deus. O lado positivo do que eu estou dizendo é que Deus tem sido tão gracioso, que colocou a Sua Palavra em nossas mãos. Por que achamos que precisamos de algo mais, além dela? Vá direto à fonte, beba da Palavra de Deus!
 
Jesus disse: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras...” (v. 24). Isto leva à outra ação decisiva: “todo aquele”. Deve haver uma resposta às palavras de Jesus. E a palavra que define essa resposta é obediência. Qual é o requisito fundamental do discipulado cristão? Conhecimento? Habilidade? Visão? Unção? Não! O requisito fundamental do discipulado cristão é a obediência. Todas essas outras coisas são resultados da obediência. Não existe verdadeira espiritualidade sem a obediência. Viver a vida que Jesus planejou para nós vivermos, seguindo os seus passos, tomar a cruz, é, definitivamente, obediência aos seus ensinos. “Todo aquele” indica aquele que obedece.
 
3. Ser crente em Jesus equivale a construir sobre uma rocha
 
Jesus ensinava através de parábolas. A parábola dos dois fundamentos contrasta dois tipos de construção de uma casa. Uma casa cujos alicerces foram em cima de uma rocha sólida e outra cujos alicerces foram em cima de areia. Ao olhar essas casas, aparentemente elas são iguais e seguras. O alicerce, contudo, não é visto, senão quando a tempestade chega. A capacidade que a construção terá de permanecer firme em tempos bons e ruins depende da força do alicerce. Ora, em um dia de tempestade, os homens correm para sua casa, a fim de se abrigar ali e encontrar proteção. Mas essa casa precisa de um alicerce para ela. Caso contrário, ela não poderia nos oferecer abrigo seguro, porque não estaria alicerçada sobre a rocha. Construir o alicerce na rocha é duro, demorado e exigente, mas essencial para se ter segurança.
 
A parábola sublinha a verdade de que na esfera espiritual o ouvir não tem valor se não resultar em ação. O modo cristão de viver jamais pode ser praticado, a menos que se fundamente em alicerce sólido, e o único alicerce seguro é o próprio Jesus. Só Ele pode dar a segurança necessária quando a tempestade chegar. Em outras palavras, você pode ter aparência de cristão, viver como um cristão vive, fazer as coisas que um cristão faz, isto é, você pode ser um religioso cristão, mas se você não tem um compromisso de vida com Jesus, se você não for um cristão em essência, do interior primeiro, então seu alicerce está construído na areia.
 
Jesus falou de tempestade que caiu sobre as duas casas. Que “tempestade” é esta que Jesus se refere? Muita gente fala dessas tempestades como sendo os problemas da vida: incompreensão, desapontamento, cinismo, dúvida, perseguição e sofrimento. É certo de que Jesus nos conforta nessas horas. Mas não é essa tempestade que Ele se refere aqui. A tempestade da qual Jesus fala aqui é o juízo final. Para alguns que se dizem cristãos, essa casa vai cair naquele dia. Para o discípulo verdadeiro e obediente, essa casa vai permanecer firme. Por isso, é de extrema importância que você se certifique de que as fundações da sua vida estejam colocadas direta e solidamente sobre Jesus Cristo e na Sua Palavra. Preste grande atenção aos detalhes, observe cada pedra, examinando para ver se há qualquer coisa que não está como deveria estar de acordo com a Palavra de Deus. Construa a sua casa sobre a Rocha, que é Cristo.
 
Conclusão
 
Conclui-se, portanto, que ser crente em Jesus é primeiramente uma ação e não um discurso. Por isso mesmo, exige medidas decisivas e equivale a construir sobre uma rocha. Sua vida precisa ser fundamentada não em aparências, não na moda religiosa, não em coisas subjetivas e apelativas, explorando muito mais as emoções que a racionalidade. Sua vida precisa ser fundamentada em Jesus e em Sua Palavra, a Bíblia, que podem ser compreendidos pela razão humana aliada à fé.
 

____________
* Texto de Autroria do Pastor Max Mauro

Mensagens e Estudos